Estive pela primeira vez na mesa de votos nas eleições autárquicas. Não sou militante, nem simpatizo com nenhum partido em particular. Partilho de alguns ideais, mas sou muito descrente quanto a reais mudanças na nossa sociedade. Ainda assim, voto (com alguma consciência, creio eu).
Nunca tinha prestado muita atenção à eleição dos presidentes das autarquias e, muito menos, das juntas de freguesia. Pois, desta vez segui o que os jornais locais foram dizendo acerca dos candidatos e li algumas das propostas apresentadas pelos mesmos, mas foi no dia das ditas eleições que fiquei a conhecer (quase) todos e cada um, sobretudo os candidatos à junta. E foram estes últimos os que mais me "chocaram", pela forma como disputaram um lugar de destaque numa aldeia de pacóvios que acusam ao presidente aqueles que não vestem a mesma camisola. Pobre gente que abre a janela para ver e ser visto; que não vai trabalhar porque o dinheiro lhes chega direitinho a casa e, assim, não vale a pena levantar cedo.
O dia passou, com votos dúbios e algumas ofensas morais. Mas não passou disso...
À noite, depois da tão extenuante contagem, saímos ,incólumes, um a um, e o povo estava lá fora a aguardar a
celebridade, proclamando a vitória do mesmo de há quatro anos, de há oito, de há doze, ... de há tantos mais.
O povo reclama, mas o povo ordena. Mais do mesmo, portanto!